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inéditos
feitiços
edson cruz

Eu
um ser
atônito como um deus
absorto
em meu rosto
gotas de um mar
morto
Feitiço
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algo assim tão
inatural
que chega a ser
outra natureza
algo sim não
mais factício
por demais tal
coisa feita
que de tão artifício
vira arte
vira livro
vira ofício
Gonfotérios na Paulista
quando os helicópteros tomarem o céu
de assalto e não houver mais espaço para os arranha-céus
arranharem a nervura dos pés de Júpiter
sairei pela Paulista nu e mijarei na vitrine de todas
as lojas de roupas masculinas
quando Hollywood invadir a tela
de meu micro e não houver mais tempo para que o ouvido
escute o soar das libélulas em cópula
me tornarei um vírus paraguaio e sedento a infectar
jovens virgens e sardentas
quando tudo que criamos der em nada
e meus sonhos mais malucos couberem num grão
de chip Made in India
vestirei minha máscara de gonfotério e sairei
por aí a procurar alfaces cultivados em bacias d’água
tudo isso farei ao som de um mantra tão exótico
que a solidão dos seres vibrará em uníssono supersônico
e arrasará o que ainda restar de escombros e sonidos
Somenos
se no hoje contemplamos o ontem
o que dizer do amanhã que nos almeja?
se no tanque afogamos a rã
o que fazer da morte que sobeja?
se no vôo a libélula se espanta
o que escrever com o sangue que goteja?
Tombo
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anuros
de etimologia obscura
mergulhos
em tanques imundos
sapos coaxando ali
tudo à revelia de mim
apupos
n’alma
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